Ao aproximar-se o final do ano letivo e o 10 de junho, recordo o ambiente à volta da preparação desta noite que, durante alguns anos no início da década de oitenta do século passado, foi vivida no Seminário. O ano letivo terminava por aí, dia 9 de junho ou à volta dessa data.
Não tenho presente quem foi o autor da ideia e, não querendo cometer qualquer injustiça, atrevo-me a dizer que o génio criativo de toda a equipa sacerdotal e formadora — incluindo os professores “externos” — poderia perfeitamente ser uma “empresa coletiva”. Na verdade, durante os anos em que foi possível realizar os jogos, o 10 de junho foi muito singular. Participavam todos. Os formadores e alguns familiares eram os juízes dos jogos. Durante a noite do dia 9 e todo o dia 10 vivia-se uma atmosfera singular: fazer as equipas, preparar os jogos, montar os obstáculos, instalar a iluminação — tudo depois de jantar —, escolher os adereços e criar os respetivos equipamentos… era uma azáfama. Cumprir o exigente regulamento com tão parcos recursos era obra!
Os Jogos do Arco da Velha eram, como a expressão popular o quer exprimir, uns jogos bem complicados, fora do comum. A expressão terá origem, basta uma pequena consulta, no Antigo Testamento — provavelmente em “arco da lei velha” —, numa referência ao arco-íris que, segundo o Livro do Génesis, Deus criou como sinal da sua aliança com os homens após o Dilúvio. Ao longo dos séculos, o arco-íris foi alvo de várias lendas e mitos populares, o que levou a que qualquer história extraordinária ou de contornos mágicos ficasse associada ao “arco da velha”.
A tipologia das várias provas baseava-se nos Jogos Sem Fronteiras da televisão, ou melhor ainda nos Jogos Florais, cuja origem está na Roma Antiga — os Ludi Florales —, em homenagem à deusa Flora. Havia momentos literários e artísticos para estimular a criatividade e ganhar folgo, bem como provas de engenho e perícia.
É agradável recordar até a competição na preparação, liderada pela equipa sacerdotal e entre os professores. O Padre Arménio liderava a preparação cultural e artística; o Padre Fonte concentrava-se na perícia; o Padre José Camões mobilizava-nos para as estruturas e a iluminação; o Padre José Henriques reunia e animava os benfiquistas para o som e a música — a aparelhagem ficava mesmo ali ao lado e sairia da varanda da sala de leitura. Depois, professores como Maia Miguel, Henrique Coelho e Antero Sobral lá estavam para ajuizar.
No final dos jogos, alguns colegas — os que podiam — iam já de férias. Quem tinha exames continuava mais um mês; todos os outros seguiam para casa. Contudo, até ao ano seguinte ainda haveria oportunidade de participar nas semanas de trabalho e encontro de férias.
M. Oliveira de Sousa, ADASA
CV 03.06.2026