Pelos anos 70-80, havia a prática de conclusão do ano letivo com três momentos marcantes para o fecho dos ciclos de estudos: as provas globais internas e os exames externos, normalmente realizados no Liceu José Estêvão, com provas escritas e orais a todas as disciplinas, exceto a educação física. Pelo 10 de junho, todos os seminaristas partiam para casa, para as merecidas — ou não! — férias. Para os anos de exame, o 9.º e o 11.º, tudo continuava no Seminário.

Durante mais ou menos uma semana, o regime era de estudo intenso, de manhã à noite. Seguia-se uma semana de provas internas e, logo depois, uma semana de exames escritos no Liceu. Em finais de junho, estavam concluídas estas duas tarefas. Num interregno mais ou menos curto, aguardavam-se os resultados, mas como os exames realizados no Liceu incluíam também prova oral obrigatória, o estudo continuava.

No período preparatório para as provas orais, já havia ponderações sobre os eventuais resultados para mitigar o tempo a investir no estudo. Havia uma certa “fórmula” — não me recordo se era oficial — que indiciava possíveis combinações de resultados para que a classificação final fosse positiva. A oral tinha, em regra, menos peso na classificação, com exceção na denominada área vocacional.

Outro elemento de peso nesse período era a decisão tomada, ou a tomar, sobre o futuro no Seminário. Os anos terminais de ciclo eram de grande triagem natural: do 9.º para o 10.º ano continuavam poucos seminaristas; do 11.º para o Seminário Maior, a decisão apertava ainda mais. Segundo um princípio mais ou menos oficial, quem quisesse continuar para o 10.º ano teria de obter aprovação pelo menos nas provas finais internas — sendo o ideal ser aprovado nas internas e nas externas. Quem quisesse prosseguir estudos fora do Seminário teria de considerar os resultados no Liceu, porque eram esses que ditavam as equivalências. Na semana de estudo para as orais repercutiam-se todos estes elementos.

Em 1982, o meu curso estava no 9.º ano. Foi uma época muito intensa, no mês de junho e julho. Decorria o Mundial de Espanha em futebol; o Senhor Reitor, Padre Arménio, celebrou Bodas de Prata Sacerdotais no dia 11 de julho, tendo sido ordenado a 7 de julho de 1957. Para exame restávamos quinze, dos quase quarenta que tinham iniciado no 7.º ano, a que se juntou um colega do 10.º ano que, não tendo tido sucesso nos exames do Liceu no ano anterior, continuou no Seminário, fez o 10.º ano e, querendo sair, ficou para realizar novamente os exames externos.

Das conversas entre colegas, parecia certo que ficaríamos dois para o 10.º ano — e assim se confirmou. Atingido o sucesso interno e com calculados bons resultados nos exames escritos externos, o final do ano letivo ficou de gratas recordações: estudo, oração, preparação de cânticos nas Zitas e na Cooperativa de Ensino com a Doutora Guida Maria, irmã da Doutora Josefa, para a missa solene das bodas de prata; futebol no ginásio e até na praia depois de jantar, na carrinha do Padre José Henriques; o “Mundial de Espanha”, cartas, banhos no Poço de Santiago.

Ao final da tarde de uma sexta-feira, por meados de julho, saíram as pautas no Liceu. Foi uma correria até lá. Na vitrine reluziam os Aprovados. O regresso ao Seminário já foi feito em total euforia — e depois de jantar, fomos seguindo para férias.

M. Oliveira de Sousa

CV 10.06.2026