Volto a este assunto, marcante para a história do Seminário e para todos nós que vivemos esse dia. Fez no dia 10 de junho 43 anos que foi inaugurada a igreja do Seminário Diocesano de Santa Joana Princesa. Na pesquisa apresentada online, no site do Seminário, recorda-se (e bem): a igreja do Espírito Santo é o principal local de culto do Seminário de Santa Joana Princesa.

O Seminário foi sonhado e inaugurado pelo primeiro Bispo da Diocese restaurada, D. João Evangelista de Lima Vidal, e iniciou a sua atividade letiva no dia 14 de novembro de 1951. O projeto arquitetónico foi elaborado pelo grupo ARS, constituído pelos arquitetos Fernando Manuel da Cunha Leão, Mário Cândido de Soares Morais e António de Matos Fortunato Cabral, inserindo-se no estilo Português Suave, muito característico de meados do século XX.

A igreja do Seminário foi a última parte a ser completada, tendo sido dedicada ao culto em 1983, trinta e dois anos após a inauguração do Seminário. A execução final do projeto da igreja realizou-se no tempo em que o Padre Arménio Costa era Reitor, sendo a obra da autoria do Arquiteto Cravo Machado.

Para embelezar o Seminário contribuiu o artista aveirense Vasco Branco, que dotou a igreja com o seu painel central, os medalhões cerâmicos e os vitrais. O painel central sobre a Capela-mor assinala a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e a Virgem Maria (cf. At 2), episódio que marca o cumprimento da promessa de Jesus que enviará o Paráclito, o defensor. A partir desse momento os Apóstolos, a Igreja reunida em redor de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, vencem o medo dos judeus e saem para anunciar o Evangelho.

Os vitrais desenhados por Vasco Branco foram construídos sob a supervisão de Arménio Costa, pai do Reitor Padre Arménio Júnior, tendo os vidros sido cortados pelos sacerdotes residentes e pelos alunos do Seminário, sob orientação do Reitor. Os quatro medalhões cerâmicos de grés policromado que encabeçam as quatro portas laterais foram inspirados numa iluminura do séc. XII e executados pelas Oficinas Olarte em Aveiro. Estes medalhões assinalam motivos sacramentais, eucarísticos e cristológicos.

O Sacrário da igreja foi concebido pelo Padre Manuel Silva Gonçalves da Fonte, que integrou a equipa formadora do Seminário nos anos 70 do século passado, e pelo Arquiteto Cravo Machado. É constituído por uma esfera de latão e por um resplendor de vidro lapidado azul e ocre, inspirado nas rosáceas das janelas do Seminário. Quando aberto, a circunferência da porta desce simbolicamente como ponte levadiça e transforma-se numa enorme custódia, com Cristo sacramentado no centro da veneração.

O Órgão de tubos foi inicialmente começado a construir pelo Padre Arménio Alves da Costa Júnior, que lhe dedicou toda a sua vida, aproveitando partes de outros órgãos, não tendo conseguido concluí-lo. Finalmente, em 2021, na celebração dos 70 anos do Seminário, através de uma nova intervenção, foi cumprido o sonho do Padre Arménio, ficando um órgão totalmente funcional. No Presbitério destacam-se o Altar, o Ambão, a Presidência e os bancos cuja forma foi inspirada pelas janelas da igreja, combinando o tijolo com o couro dos estofos, em harmonia com a restante igreja.

Durante cerca de dois anos, entre 1981 e 1983, aquele espaço foi um autêntico estaleiro de obra. O sítio das corujas, que por ali pernoitavam, deu lugar a um espaço belo e inspirador.

Todos os caminhos iam dar à igreja: as horas de trabalho semanal, os recreios, a Semana de Trabalho no Verão, até a disciplina de trabalhos oficinais. Foi para criar uma linha de montagem para fabricar os mealheiros em madeira destinados a todas as famílias e crianças da catequese da Diocese, e para construir os tubos para o órgão que a sala de aula, antes na cave sob os balneários, foi ampliada para a chamada “sala das malas”.

Técnicos, equipa, seminaristas, professores, irmãs… foram obra e obreiros, em andaimes e no chão. E a 10 de junho de 1983, sob a presidência do Senhor D. Manuel de Almeida Trindade, foi solenemente inaugurada a igreja do Seminário Diocesano de Santa Joana Princesa, dando-se assim por concluída a construção do Seminário.

M. Oliveira de Sousa, ADASA

CV, 17.06.2026