Para o serviço do Povo de Deus

A missão de Jesus anima a missão da Igreja. Neste tempo de Missão Jubilar, o lema que escolhemos“Vive esta hora!” indica-nos um contínuo apelo à missão e um renovado caminho de serviço ao Povo de Deus, que é a Igreja.

A Missão Jubilar é mais do que uma pedagogia criativa de acção pastoral. Ela constitui verdadeira alma inspiradora deste nosso «ser Igreja», vivendo o nosso «ser em Cristo» e empenhando todas as pessoas na construção de um mundo melhor.

Neste belo e bom caminho que estamos a percorrer, todos somos necessários e todos nos devemos sentir envolvidos, abrindo o coração e a inteligência aos dons do Espírito, e tantos eles são, concedidos a cada um de nós para os colocarmos e multiplicarmos ao serviço do bem de todos.

Como discípulos de Jesus e continuadores da sua missão, pede-se de modo concreto e específico aos sacerdotes uma permanente disponibilidade e uma fortalecida generosidade para que, na alegria da comunhão sempre testemunhada e no encanto da Missão vivida, sejamos fiéis servidores do Povo de Deus.

Sei como é acrescido o trabalho que a todos e a cada um se pede, mas conheço igualmente o caminho feito pela nossa Diocese e o testemunho sempre dado pelo presbitério diocesano para que, em comunhão com o seu bispo, diáconos, consagrados e leigos, vivamos esta hora como momento de renovação para a Igreja, aurora de alento para o Mundo e certeza de Páscoa perene para a Humanidade.

Deus que nos chamou à vida e à fé, nos ungiu no ministério ordenado e nos enviou para a missão, precede-nos e acompanha-nos neste caminho de serviço ao seu Povo.

Consciente da colaboração fraterna de todos, olho o futuro com esperança ao ver surgir no horizonte próximo novos sacerdotes, servidores da Messe, que serão sempre dom maior de Deus à nossa Diocese.

Agradeço a todos os que iniciam novos múnus pastorais a disponibilidade e a confiança reveladas. Agradeço igualmente a quantos cessam missões a generosidade e a dedicação ao Povo de Deus, desde sempre testemunhadas.

Neste espírito de Missão Jubilar que a todos convoca para o serviço do Povo de Deus;

HEI POR BEM NOMEAR:

P.e António Aparício Cardoso, Pároco de S. Salvador de Covão do Lobo, de Santa Catarina e de Nossa Senhora da Luz de Ponte de Vagos, no Arciprestado de Vagos.

P.e António Francisco da Silva Cabeça, Pároco de S. João Baptista de Rocas do Vouga, continuando Pároco de S. Martinho de Pessegueiro do Vouga e Arcipreste de Sever do Vouga.

P.e Armando Baptista da Silva, Pároco in solidum da Paróquia de Santo André de Esgueira, no Arciprestado de Aveiro;

P.e César Fernandes, Vigário Paroquial de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, continuando Vigário Paroquial de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré e de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo;

P.e Daniel Paulo Gonçalves Rocha, Pároco in solidum / Moderador da Paróquia de Santo André de Esgueira, no Arciprestado de Aveiro;

P.e Fernando Simões de Carvalho e Silva, Vigário Paroquial de S. Salvador de Ílhavo, no Arciprestado de Ílhavo;

P.e Francisco José Rodrigues de Melo, Pároco de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, no Arciprestado de Ílhavo, continuando Pároco de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré, de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, Vigário Episcopal da Pastoral e Coordenador da Missão Jubilar;

P.e Ivanil José Portela, Pároco de Santo Estêvão de Couto de Esteves e de Nossa Senhora do Loreto de Paradela, continuando Pároco de S. João Baptista de Cedrim, no Arciprestado de Sever do Vouga;

P.e Luís Manuel Barbosa de Oliveira, Pároco de Santa Eulália de Eirol e de Santo Isidoro de Eixo, continuando Pároco de S. Bernardo, no Arciprestado de Aveiro;

P.e João Manuel Marques Gonçalves, Vigário Paroquial de S. Bernardo, de Santa Eulália de Eirol e de Santo Isidoro de Eixo, no Arciprestado de Aveiro, continuando Assistente do Secretariado Diocesano da Animação Missionária;

P.e Joaquim Martins, Pároco de S. Vicente da Branca e de S. Tiago de Ribeira de Fráguas, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha;

P.e José Augusto Pinho Nunes, Pároco de Santo António de Oliveirinha e de S. Paio de Requeixo, no Arciprestado de Aveiro;

P.e José Manuel Marques Pereira, Pároco de S. Pedro de Nariz, continuando Pároco de Nossa Senhora de Fátima e Arcipreste de Aveiro;

P.e Manuel António Carvalhais, Administrador Paroquial de S. Miguel de Soza e de Santo António de Vagos, continuando Pároco de S. Tiago de Vagos e Arcipreste de Vagos;

P.e Manuel Dinis Marques Tavares, Administrador Paroquial de Santa Eulália de Vale Maior, com a colaboração do P.e Joaquim Martins, continuando Pároco de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha.

P.e Manuel Mário Ferreira, Pároco de S. Pedro da Palhaça, continuando Pároco de S. Simão de Oiã e Arcipreste de Oliveira do Bairro;

P.e Pedro José Lopes Correia, Vigário Paroquial de Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo, continuando Vigário Paroquial de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré e de Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo e Assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz;

P.e Pelágio Faz Tomás, Vigário Paroquial na Unidade Pastoral de Águeda, no Arciprestado de Águeda;

Diácono Hélder Manuel Ruivo Gonçalves, em Estágio Pastoral nas Paróquias de Nossa Senhora da Nazaré da Gafanha da Nazaré, Nossa Senhora do Carmo da Gafanha do Carmo e Nossa Senhora da Encarnação da Gafanha da Encarnação, no Arciprestado de Ílhavo;

Diácono Leonel Santiago de Abrantes, em Estágio Pastoral nas Paróquias de S. Simão de Oiã e de S. Pedro da Palhaça, no Arciprestado de Oliveira do Bairro;

Diácono Victor Marques Cardoso, em Estágio Pastoral nas Paróquias de S. Vicente da Branca e de S. Tiago de Ribeira de Fráguas, no Arciprestado de Albergaria-a-Velha.

Aveiro, 25 de Julho de 2013, Festa litúrgica de S. Tiago, Apóstolo

António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro

Nota Pastoral – A Casa Sacerdotal é de toda a Diocese

A Casa Sacerdotal é de toda a Diocese

A Casa Sacerdotal de Aveiro, cujo sonho Deus abençoou desde o seu início, foi inaugurada no passado dia 7, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e abriu as suas portas a toda a Diocese no domingo, dia 16 deste mês de Junho.

Sonhada desde sempre como Santuário de Gratidão aos sacerdotes e a quantos os acompanharam dedicadamente ao longo da vida, a Casa Sacerdotal é agora um belo marco jubilar desta Igreja que vive em Missão, ao celebrar setenta e cinco anos da restauração da Diocese.

Quero hoje, mais uma vez e sempre, testemunhar a gratidão e afirmar com alma cheia de alegria o meu reconhecimento a todos quantos, dia a dia, contribuem para a construção da Casa Sacerdotal.

Um santuário levanta-se para Deus, ao jeito de mãos erguidas e de árvores plantadas, a partir do coração humano que é o chão sagrado que o sustenta.

Ao abrir as portas a quantos a visitaram, vindos de toda a Diocese, a Casa Sacerdotal é devolvida à Diocese que a construiu e é entregue ao Seminário a quem pertence. É este duplo vínculo que a identifica, define e diferencia.

Sem a Diocese seria impossível ousar construir a Casa Sacerdotal. Nela converge o amor generoso dos sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos. Ela deve-se aos contributos indispensáveis das comunidades cristãs, empresas, instituições, grupos e famílias que se organizaram para carrear para Aveiro, com igual dedicação e com o mesmo carinho de sempre, as pequeninas e as grandes ofertas. A bondade de uns e o espírito criativo de outros transformaram a Casa Sacerdotal numa bela epopeia de generosidade.

Sem o Seminário ficaria limitado o desígnio da Casa Sacerdotal e cerceado o seu horizonte. A proximidade física e institucional entre o Seminário e a Casa Sacerdotal abre caminho para a comunhão sempre necessária e abençoada de toda a Igreja diocesana, para que a gratidão vivida com os sacerdotes idosos e doentes se transforme em esperança celebrada com as novas vocações para o ministério presbiteral.

Construído que está o edifício, cumpre-nos agora ir modelando a sua alma. Vamos fazê-lo com redobrado entusiasmo. O entusiasmo que foi crescendo à medida que o sonho inicial se realizou, as paredes se ergueram, as divisões interiores se definiram, o espaço se embelezou, as janelas se abriram à vida e a mesa abundante e fraterna se preparou. O entusiasmo é hoje mais forte e consistente, graças à oração e à presença de tantas pessoas no dia da bênção e no dia aberto à visita.

O entusiasmo nasce e renasce diariamente da voz e do testemunho de muitos que nos falam de tantos casos para quem a Casa sacerdotal teria sido resposta, se já existisse. São palavras ditas e escritas que dão voz firme e expressão viva ao sentido da Casa Sacerdotal. São gestos discretos vindos do coração de quem já tanto deu mas que encontra sempre novas razões para acrescentar o azeite e a farinha, ao jeito do profeta, para que nunca falte o pão na mesa dos mensageiros de Deus (cf. 1 Reis 17, 10-16).

As obras sonhadas por Deus são sempre fruto do milagre da generosidade humana. Continuamos a acreditar que, com a ajuda de todos, levaremos até ao fim o pagamento completo da obra construída e ainda não completamente paga. Importa agora não demorarmos a pagar os empréstimos a que recorremos. São empréstimos sem juros e até por isso exigem que apressemos o momento de devolver com gratidão acrescida a preciosa ajuda que recebemos de muitas pessoas e instituições.

Com este compromisso sempre presente e com a certeza inabalável de que a generosidade humana nunca se esgota e de que a caridade cristã nunca acaba, olhamos agora o tempo já próximo em que, cumpridas todas as formalidades legais em curso, a nossa Casa Sacerdotal comece a receber aqueles a quem se destina.

Aguardamos esse dia com a serena naturalidade de quem sabe que habitar uma casa nova e bela, envolvida de carinho e dedicação, dá mais e melhor vida àqueles para quem foi pensada e construída. E nunca se edifica um Santuário de Gratidão que não seja para ser escola de oração e de vida, espaço de fraternidade e de alegria, onde o trabalho de uns se transforme diariamente em serviço dos outros e a oração destes se faça bênção para aqueles.

Queremos que a Casa Sacerdotal amplie e traga para os nossos dias essa “linda história de amor” que começou a ser escrita desde o dia do sonho do Seminário de Santa Joana, embalado no coração do nosso primeiro bispo, D. João Evangelista de Lima Vidal, e por ele entregue para sempre à Diocese.

Os seminaristas continuarão a ser sempre os seus primeiros protagonistas. A eles se juntarão agora aqueles que depois de longa vida sacerdotal, gasta no trabalho apostólico, regressam para perto do Seminário, como se nunca dele se tivessem separado, para a partir daí compreenderem ainda melhor o valor da vocação e o sentido do ministério.

À Diocese, por inteiro, pertence viver esta hora com o mesmo espírito presente e actuante em tudo e sempre neste tempo de Missão Jubilar em Aveiro.

Que Deus recompense em vida, saúde e graça todos quantos ajudam, hora a hora, a edificar, a consolidar e a tornar útil a Casa Sacerdotal. Contamos com todos e continuamos a precisar da ajuda de todos. A Casa Sacerdotal é de toda a Diocese de Aveiro. Obrigado, Diocese de Aveiro!

Aveiro, 24 de Junho, solenidade de S. João Baptista, de 2013

António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro

Alimento para o caminho e força para a missão

Mensagem de D. António Francisco, Bispo de Aveiro

A Festa do Corpo de Deus, como habitualmente é designada, celebrou-se a primeira vez entre nós no domingo a seguir à Solenidade da Santíssima Trindade, depois da suspensão do feriado civil.

Vivemos esse dia, com o entusiasmo e beleza de sempre, nas nossas comunidades paroquiais ou em iniciativas de âmbito arciprestal, que urge incrementar cada vez mais. Afirmamos, assim, a nossa fé na Eucaristia e testemunhamos a nossa comunhão de Igreja.

Vivemos igualmente esse dia de adoração e de celebração, em simultâneo e em comunhão, com o Papa Francisco.

Ele exortou as dioceses e comunidades católicas do mundo a rezar na tarde do domingo, dia 2 de Junho, «pela Igreja espalhada pelo mundo e por todos aqueles que nas diversas partes do mundo vivem no sofrimento devido às novas formas de escravidão e são vítimas de guerras, do tráfico de pessoas e do trabalho escravo; pelas crianças e mulheres submetidas a qualquer tipo de violência”.

A minha patena e o meu cálice

A Eucaristia constitui tesouro da Igreja e herança preciosa que o Senhor nos deixou. E a Igreja guarda-a com o máximo respeito, celebrando-a, adorando-a e distribuindo-a a todos nós, como alimento para o caminho e força para a missão.

No centro da vida de qualquer comunidade cristã está a Eucaristia. E nós, sacerdotes da nova Aliança, somos testemunhas desta verdade e ministros desta «epifania» de Jesus Cristo na Eucaristia.

Vamos inaugurar no próximo dia 7 deste mês de Junho, Solenidade do Coração de Jesus e Dia de oração pela santificação dos sacerdotes, a Casa Sacerdotal de Aveiro.

Destina-se esta Casa Sacerdotal a receber os sacerdotes que, por doença, idade, trabalho ou outras razões, dela precisem e a acolher as pessoas que os acompanharam durante a vida.

Designei a Casa Sacerdotal, desde início, como Santuário de Gratidão. Assim a vejo, hoje. Gostaria que todos assim a encontrassem sempre.

Diariamente, em cada Eucaristia celebrada com o seu Povo, os sacerdotes proclamam, de tantos modos e em tantos lugares, um hino de louvor e de acção de graças ao Senhor.

No centro do edifício, agora construído, encontramos a Capela, para que ali diariamente se celebre a Eucaristia e os sacerdotes residentes possam continuar ao longo da vida este Hino de Acção de Graças a Deus.

Nas mãos erguidas, símbolo da Casa Sacerdotal, percebemos a força viva de uma árvore que se levanta da raiz da terra, numa bela sintonia entre o Seminário e a Casa Sacerdotal. O fruto está ligado à semente como a foz de um rio está unida à sua nascente.

Sinto, a partir deste belo símbolo, ainda mais actual, necessária e inspiradora a oração do Padre Teilhard de Chardin:

“Colocarei sobre a minha patena, meu Deus, a messe esperada de um novo tempo. Derramarei no meu cálice a seiva nova de todos os frutos que da árvore da vida recebi.

 Meu cálice e minha patena são as raízes profundas da minha alma aberta ao Espírito de Deus.

Que venham celebrar connosco todos aqueles que a vossa luz divina desperta para uma nova jornada.

 Recebei, Senhor, este pão, nosso esforço, e este vinho, nossa dor. Num e noutro colocastes, Senhor – disso estou certo, porque o sinto – um irresistível e santificante desejo, que nos faz a todos rezar: “Senhor, fazei-nos Um”.

O domingo, dia 16 de Junho, a partir das 15 horas, será Dia Aberto de visita a todos os diocesanos e a todos os amigos e beneméritos. Queremos abrir-vos, amados diocesanos, as portas da Casa Sacerdotal para que sintais que ali habita a vossa gratidão aos sacerdotes, que tão generosamente servem esta Igreja de Aveiro.

Caminhos de Missão

Com o tempo de verão, que agora começa, em nada vai diminuir o nosso entusiasmo neste caminho da missão.

Animados pela bênção de Deus e pela força encontrada nas etapas já percorridas, a nossa Missão Jubilar ganha agora formas inovadoras, abertas a realidades novas.

A época de férias traz-nos o reencontro com as famílias, a procura das nossas praias e lugares de descanso e o convívio com tanta gente que nos visita, porque gosta de nós e de Aveiro.

A Missão Jubilar é presença junto de todos e anúncio de Jesus Cristo para todos. É saudação e oração em nome d’Ele. É alegria e festa com Ele.

Queremos viver estes meses de verão, como tempo de acolhimento e saudação, de encontro e de oração, de convívio e de festa.

Neste mês de Junho vamos dar valor maior ao olhar do coração. Vamos saudar com alegria. Vamos acolher com amizade. Vamos quebrar silêncios que magoam. Vamos vencer a indiferença e do desprezo que provocam solidão e dor.

Há tantos habitantes das nossas terras que ainda não são vizinhos! Há tantos vizinhos que ainda não são próximos! Há tantos próximos que ainda não são irmãos!

Cumprimentar pode parecer um gesto banal. Saudar pode ser entendido como atitude menor. Um e outro são caminhos de fraternidade, por nós transformados em caminhos de missão por onde Cristo nos envia.

Vamos, por isso, dizer palavras que aproximam e ter gestos que nos fazem irmãos. Cumprimentar, comunicar e fortalecer a comunhão é afirmar a nossa humanidade no seu melhor e dar alma humana à sociedade em que vivemos. “Um dia vou cumprimentar-te…Hoje é o dia!”

Homem de paz e apóstolo da bondade

O Papa João XXIII faleceu há 50 anos, no dia 3 de Junho de 1963. Conservo dele, como primeira recordação, a memória que uma criança sabe guardar das pessoas de que gosta.

Aprendi mais tarde quanto a Igreja lhe deve como padre, como núncio, como patriarca e como papa.

Do tempo de Núncio em Paris ouvi belas histórias de humor e de admiração, contadas por pessoas próximas e amigas, que com ele privaram de perto. O Ministro do Culto, de França, Pierre Tedjen, seu amigo, ao saber da sua eleição desabafou com a família: “que pouca sorte tem a Igreja! Ele não tem jeito para tão pesada missão!”

Quando meses depois o visitou no Vaticano, ainda desconcertado pela sua eleição, mas agradecido pela audiência privada que lhe concedera, exclamou para a Esposa: “Teresa, agora acredito mais no Espírito Santo. Ele é a pessoa certa para o lugar certo”.

Muitas vezes lhe agradeci o Concílio que convocou e nos trouxe um tempo de primavera para a Igreja e uma aurora de esperança para o Mundo.

Nunca fui a Roma sem ajoelhar diante do seu túmulo. Sempre lhe pedi que me ensinasse a audácia dos que acreditam que gestos simples, quando inspirados por Deus, podem transportar em si o gérmen de decisões proféticas.

 “Vive esta hora!” é lema da nossa Missão Jubilar, a exemplo da bela oração “Hoje” do Papa, Beato João XXIII.

Muitas vezes lhe tenho falado da Missão Jubilar de Aveiro, no segredo das nossas confidências, ancorado na certeza da sua intercessão.

Também a ele, hoje, rezo para que os caminhos da Igreja de Aveiro sejam sempre caminhos de missão, percorridos por mensageiros das bem-aventuranças do Evangelho e por apóstolos da bondade de Deus.

Nota Pastoral – Uma aventura de amor pela Igreja

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Uma aventura de amor pela Igreja

Casa Sacerdotal de Aveiro está construída. Construiu-a a bênção de Deus, desde sempre implorada e diariamente sentida. Edificou-a a decisão nunca abandonada do bispo e do presbitério diocesano de erguer um Santuário de Gratidão, dedicado aos sacerdotes e a quantos generosamente os acompanharam ao longo da vida.

A Casa Sacerdotal deve-se, a exemplo de todas as outras que a Diocese edificou, à generosidade de diocesanos de Aveiro, bispos, presbíteros, diáconos, consagrados e leigos.

A convicção firme de que o Seminário é o coração da Diocese e de que a partir deste único e vivo coração se deve irrigar a vida toda dos sacerdotes, em todo o tempo e circunstâncias, é o alicerce sólido desta Casa Sacerdotal.

Ao anunciar a sua bênção e inauguração, sinto que esta é uma hora jubilar de acção de graças a Deus e a Aveiro. “Vive esta hora!” como lema da nossa Missão Jubilar, ao celebrarmos setenta e cinco anos da restauração da nossa Diocese, e como missão cumprida desta Igreja de Aveiro ao erguer este Santuário de Gratidão.

À medida que a Casa Sacerdotal ia ganhando forma no coração dos sacerdotes, seus principais destinatários e seus primeiros construtores, fui reler de novo, e sempre com sabor e proveito, o livro «A alma e a pena do Arcebispo», em que Monsenhor João Gaspar, Vigário Geral da nossa Diocese, reuniu alguns dos mais belos textos que, durante dezanove anos, o nosso primeiro bispo, D. João Evangelista de Lima Vidal, escreveu sobre o Seminário.

Mesmo assim, depois de tanto escrever sobre o Seminário, D. João Evangelista tem consciência de que não disse tudo e por isso adverte: “Muitas coisas, quando se fizer a história do Seminário, se as quiserem saber, têm que ir à minha campa e perguntar por elas às cinzas que ainda por lá estiverem”.

Também nesse livro vi que alguém dizia do nosso primeiro bispo: “Lia-o, a ouvi-lo. Como se a mim se dirigisse pessoalmente. Lia-o, e encantava-me, e ficava mais lavado e contente comigo. Era lustral a sua prosa, quanto era purificadora a sua palavra. Este bispo deu-me lições inestimáveis”.

Não tive a graça de conhecer e de ouvir D. João Evangelista. Mas reencontro-me com ele diariamente na oração e na gratidão. Ao ler o que escreveu, sei que estou a ouvi-lo. Ao habitar a casa que era sua, e fez casa de todos os seus sucessores, agradeço-lhe o que por nós e para nós construiu. Ao vê-lo deslumbrar-se diante do Seminário, que guarda para sempre o seu último olhar, no dizer do seu biógrafo, sinto que a Casa Sacerdotal guardará para sempre o olhar do meu coração dado à Igreja de Aveiro.

O Seminário assim sonhado por D. João Evangelista e pelos sacerdotes do seu tempo e por ele anunciado à Diocese, em Carta Pastoral de 27 de Dezembro de 1938, abriu as suas portas a 14 de Novembro de 1951. Em 11 de Dezembro de 1952, com o Seminário já quase construído, diz-nos numa bela Exortação Pastoral que “o Seminário é uma linda história de amor”.

São estes mesmos sentimentos que agora quero partilhar convosco, amados diocesanos de Aveiro. A Casa Sacerdotal, erguida bem pertinho do Seminário e propriedade deste, é aventura de amor pela Igreja. Nem outra coisa se pode esperar da Igreja e dos que a servem, que não seja o amor a Deus feito serviço àqueles a quem Deus ama.

E entre aqueles que Deus ama e que a Deus servem na doação plena, fiel e feliz das suas vidas estão os sacerdotes. É para eles, os de hoje e os de sempre, que esta Casa Sacerdotal agora nasce.

Entrego-vos esta Casa, irmãos sacerdotes de Aveiro. Habitai-a: ela é vossa. Amai-a: ela é dom de Deus e fruto da generosidade cristã.

A gratidão está inscrita no seu código genético, na sua matriz original e no seu destino permanente.

A Casa Sacerdotal é gratidão dos vossos bispos. O que seria o nosso ministério de bispos sem vós, irmãos sacerdotes? Alguns dos sacerdotes que, desde o primeiro dia do meu ministério, em Aveiro, me pediram esta Casa já partiram ao encontro de Deus. Eles são, certamente, os primeiros, não a habitar a Casa que desejaram, mas sim a abençoar a Casa que sonharam.

A Casa Sacerdotal é gratidão do Povo de Deus aos sacerdotes, que por eles oferecem a vida, até ao limite das forças humanas. O que seria do Povo de Deus sem a vida, presença, oração, testemunho e ministério dos sacerdotes?

Vamos inaugurar a Casa Sacerdotal no próximo dia 7 de Junho, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e Dia de oração pela santificação dos sacerdotes. Também o Seminário foi dedicado ao Sagrado Coração de Jesus por D. João Evangelista. Este vínculo permanente e indelével entre o Seminário e a Casa Sacerdotal passa necessariamente pelo Coração de Cristo, o Bom Pastor.

O dia 7 de Junho é dia de semana e compreendemos que muitas pessoas não possam estar livres, nesse dia, para participar na bênção e inauguração. Conscientes disso, vamos fazer da tarde do domingo, 16 de Junho, um Dia Aberto, para permitir a visita da Casa Sacerdotal a todas as pessoas que o desejem fazer. Será essa também uma forma de agradecer a generosidade de amigos e beneméritos, sem os quais este sonho não se teria cumprido.

Casa Sacerdotal construída não significa Casa Sacerdotal já paga. É muito ainda o que devemos para saldar empréstimos contraídos. Embora todos estes empréstimos sejam sem juros, o que revela muita generosidade de quem nos ajuda e também assim edifica e constrói, exigem que sejam saldados.

Sei que a compreensão humana pelas grandes causas do bem e a generosidade cristã pelas obras de Deus nunca se esgotam. Continuamos a contar com todos e a precisar de todos.

No coração de Deus encontraremos a merecida e a melhor recompensa, espelhada na vida digna dos sacerdotes e pessoas a eles dedicadas que, na Casa Sacerdotal tenham a sua própria casa e aí reencontrem a sua família de vida, de vocação e de ministério.

A Casa Sacerdotal de Aveiro é tesouro sagrado da Diocese e é património abençoado do Seminário. Dedicamo-la a Santa Joana como lhe estão igualmente já confiados o Seminário e a Diocese.

A exemplo de Santa Joana, nossa Padroeira, descobriremos sempre que «amar a Deus é servir» e com ela aprenderemos diariamente quanto vale para Aveiro, Cidade e Diocese, mais esta aventura de amor pela Igreja.

Aveiro, 26 de Maio de 2013

António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro

Encontro Anual da ADASA

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A ADASA, em colaboração com o Seminário de Santa Joana Princesa, promove, no dia 18 de maio de 2013, o seu Encontro Anual. Será um dia especial de convívio e de reencontro entre colegas e famílias, bispos, sacerdotes, seminaristas, irmãs, antigos professores e funcionários.

 

PROGRAMA:

 

09:30h – Acolhimento.

10:00h – Eucaristia presidida por D. António Francisco e concelebrada por sacerdotes presentes (Celebração de Acção de Graças por vivos e falecidos).

11:00h – Intervalo.

11:30h – Assembleia-Geral da ADASA.

13:00h – Almoço-convívio.

15:00h – Tarde cultural.

17:00h – Lanche e convívio.