Exposição dos 75 anos do Seminário de Aveiro


Todos temos presente o programa de vida no Seminário. Em qualquer reencontro de seminaristas, o que vem imediatamente à conversa é a proveniência (religiosa, diocesana, etc.) e os anos de entrada e frequência; segue-se o tema dos colegas conhecidos e, inevitavelmente, quais ex‑combatentes, as peripécias travadas em clima de vida austera e estruturada. A vida dentro de um seminário dividia-se entre tempos de oração, silêncio, missa, aulas, serviços comuns, momentos de convívio e de estudo, bem como atividades culturais e desportivas e, no Seminário Maior, a preparação de atividades pastorais.
A formação baseava-se institucionalmente em quatro dimensões — espiritual, intelectual, comunitária e pastoral — tendo em vista o discernimento vocacional e a preparação para o sacerdócio. Se a dimensão espiritual era de vivência mais privada, trabalhada com o diretor espiritual e o confessor (em alguns assuntos e momentos, discutida com colegas mais próximos ou mais velhos), já a intensidade de vida comunitária — organização, coordenação e exercício de trabalhos de limpeza, manutenção, jogos (desportivos, culturais, etc.) e vida pastoral — constituía-se como um verdadeiro “laboratório de liderança de pares”, uma preparação, mais ou menos estruturada, para o compromisso com a cidadania ativa.
A dimensão intelectual, baseada em planos de estudo transversais e alinhada com os programas seculares de cada época, assentava nas componentes clássicas, tanto em sentido geral como concreto. Destacavam-se as humanidades, sobretudo as línguas, mas também a antropologia, a psicologia, a moral/ética e a disciplina; uma visão criacionista no estudo das ciências; as artes; e, naturalmente, os estudos filosóficos e teológicos — Dogmática, Sagrada Escritura e Pastoral. As aulas e o estudo, realizados antes do pequeno-almoço, nas chamadas “horas mortas” da tarde e à noite, ocupavam cerca de metade do dia — doze horas.
Estas dinâmicas de vida, quando bem orientadas e geridas, foram base, ainda que em pequenos “viveiros de iniciação”, para o desenvolvimento de uma visão do mundo e de uma orientação de vida marcadas por elevada maturidade e compromisso.


M. Oliveira de Sousa