Quatro anos passados, vemos, com grande alegria, nascer a partir do coração generoso da Diocese e erguer-se deste chão abençoado da nossa terra, no espaço envolvente do Seminário, a Casa Sacerdotal de Aveiro.

No dia 8 de Dezembro de 2007, primeiro aniversário do início do meu ministério episcopal em Aveiro, anunciei à Diocese a vontade de construir a Casa Sacerdotal que seja verdadeiro santuário de gratidão da comunidade diocesana aos sacerdotes e a todos quantos, com dedicação e generosidade, os serviram ao longo da vida.

Quatro anos passados, vemos, com grande alegria, nascer a partir do coração generoso da Diocese e erguer-se deste chão abençoado da nossa terra, no espaço envolvente do Seminário, a Casa Sacerdotal de Aveiro.

Mais do que falar do edifício, que se ergue a partir dos seus alicerces sólidos, para que muito em breve se cumpra o sonho, desde longe embalado e diariamente renovado, quero, hoje, dizer uma primeira palavra de gratidão.

E é, assim, que desejo prosseguir, trazendo aqui, de vez em quando, alguns dos momentos e dos gestos que fazem desta Casa uma verdadeira obra de todos nós e para toda a Diocese. Ela vem ao encontro de uma necessidade e responde a muitos e insistentes pedidos de vários sacerdotes fragilizados pela doença ou pelo peso dos anos. Alguns deles já partiram ao encontro de Deus, sem deixarem de ser pela bênção, deles agora esperada, também eles construtores da Casa Sacerdotal.

Poucos dias depois de ter anunciado na Sé Catedral a decisão de construir a Casa Sacerdotal recebi, em gesto discreto, envolvido numa espontânea timidez, uma oferta vinda de quem durante muitos anos viveu e trabalhou em Aveiro, como docente de uma das Escolas da nossa cidade. Regressou agora, em tempo de merecido descanso que a reforma lhe faculta, à sua terra natal fora da nossa diocese. Não esqueceu, porém, o tempo vivido em Aveiro e o bem aqui recebido, nem a experiência de fé aqui fortalecida e o testemunho apostólico aqui deixado.

As palavras que acompanharam esse gesto e a generosidade que nele se espelhava dizem-me que a memória do coração e o sentido cristão da gratidão moram no meio de nós. Não fazem ruído nem levantam a voz, mas consolidam as decisões que se tomam e dão sentido e valor às causas que nos movem.

Senti que este gesto discreto foi verdadeira pedra de alicerce e será sempre, para mim, memória abençoada de uma história acontecida, uma bem significativa história de generosidade. Nesse momento, marco da história dos alicerces da nossa Casa Sacerdotal, ainda não havia sido escolhido o lugar, nem decidido o tempo, nem tão pouco elaborado o projecto. Mas sem este gesto a Casa que agora se edifica não seria a mesma.

Foi esta dádiva o primeiro e necessário incentivo a dizer-me que o longo e belo caminho da generosidade começava ali e que outros sinais de igual generosidade iriam surgir. Sinto que este caminho se prossegue, hoje, com o encanto de constantes surpresas de tantas pegadas com marcas de grande generosidade, gravadas no caminho da construção da nossa Casa Sacerdotal. A generosidade de tantos outros gestos que se lhe seguiram ensina-me que o bem que se faz é sempre semente de novo bem a fazer.

Sei que os tempos que vivemos são difíceis para levar por diante empreendimentos como este. Mas sei, também, que tempos assim nunca asfixiaram a generosidade das pessoas, a iniciativa das famílias e a criatividade das comunidades e ensinam-nos que o futuro feliz, justo e solidário que todos desejamos para todos passa necessariamente pela partilha de sonhos, de bens e de projectos.

É igualmente nesta hora em que todos somos convocados para a Missão, rumo ao Jubileu da nossa Diocese, que se torna mais visível a grandeza das pessoas, a beleza das famílias e a determinação das comunidades e se dá mais valor aos gestos de generosidade que do coração nascem.

 

+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro

 

Fonte: Diocese de Aveiro

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